Entre desafios e aprendizados: o percurso institucional do Instituto Kurâdomôdo em 2025
Publicado em: 22/12/2025


O ano de 2025 foi um período de trabalho intenso para o Instituto Kurâdomôdo Cultura Sustentável. Em um contexto marcado por desafios estruturais, limitações de recursos e demandas sociais cada vez mais complexas, a instituição manteve sua atuação ativa e comprometida com sua missão social, cultural, ambiental e indígena.
Mais do que um ano de resultados imediatos, foi um ano de presença contínua, construção de caminhos e fortalecimento institucional. Em cenários sensíveis e territórios diversos, seguir atuando já é, por si só, um posicionamento ético e político.
Esse entendimento é reforçado pela diretora do Instituto, Cleide Arruda, ao refletir sobre o período vivido:
“Este foi um ano desafiador, como têm sido muitos para quem atua no terceiro setor com seriedade e compromisso público. Ainda assim, seguimos presentes, trabalhando, construindo parcerias e mantendo viva a missão do Instituto Kurâdomôdo. Nem sempre os caminhos são fáceis, mas acreditamos na força do diálogo, da escuta e do trabalho feito com responsabilidade.”
O caminho percorrido
Ao longo do período, o Instituto concentrou esforços em frentes que dialogam diretamente com sua identidade. A valorização da cultura, o fortalecimento dos povos indígenas, a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento social orientaram projetos, articulações e participações institucionais.
Na área indígena e ambiental, o Instituto deu continuidade ao acompanhamento dos resultados do Projeto Aldeia Sustentável A’uwê Uptabi, financiado pelo Programa REM Mato Grosso. Mesmo após o encerramento formal do projeto, os vínculos permaneceram ativos, especialmente no apoio à pesquisa acadêmica desenvolvida junto ao povo A’uwê Uptabi Xavante, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso. A defesa da dissertação de mestrado em etnobotânica é um exemplo concreto de como os projetos não se encerram apenas no papel, mas seguem reverberando em conhecimento, memória e valorização dos saberes tradicionais.
Ainda no campo ambiental, o Instituto compartilhou experiências acumuladas em ações de capacitação e estruturação de brigadas indígenas, com foco no Manejo Integrado do Fogo. A participação da diretora do Instituto em seminários nacionais e internacionais sobre prevenção e combate a incêndios florestais reforçou o reconhecimento técnico do trabalho realizado com os povos Xavante e Bororo e ampliou o diálogo do Instituto com especialistas e instituições de diferentes regiões.
Cultura, juventude e desenvolvimento social
A atuação cultural teve um avanço importante com a consolidação da parceria entre o Instituto Kurâdomôdo, o Projeto São Lua e o Ministério Público de Mato Grosso. A homologação do projeto Estação Sonora São Lua Facilita marca um passo relevante na promoção da economia criativa como ferramenta de inclusão social, formação profissional e geração de oportunidades para jovens em situação de vulnerabilidade em Chapada dos Guimarães.
O processo de construção do projeto revelou a capacidade de articulação do Instituto e o cuidado em estruturar uma iniciativa que une arte, formação técnica, gestão e cidadania. Ainda que seus principais resultados estejam previstos para os próximos anos, o período foi decisivo para planejamento, diálogo institucional e fortalecimento da proposta.
Presença institucional e articulação em políticas públicas
Durante o ano, o Instituto Kurâdomôdo manteve presença ativa em espaços de debate e construção de políticas públicas. A participação no seminário sobre o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil reforçou o compromisso com a transparência, a legalidade e o aprimoramento das relações entre o poder público e o terceiro setor.
O Instituto também esteve presente no Acampamento Terra Livre Mato Grosso, reafirmando seu alinhamento com as pautas dos povos indígenas e com a defesa do diálogo como ferramenta fundamental de visibilidade, escuta e fortalecimento das demandas coletivas.
No campo da cultura e do patrimônio, um marco importante foi a habilitação do Instituto no edital da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer para a futura gestão do Museu de História Natural de Mato Grosso. A candidatura foi construída de forma coletiva, com equipe multidisciplinar e parcerias com a Universidade Federal de Mato Grosso e especialistas em museologia. As visitas técnicas realizadas evidenciaram desafios estruturais relevantes, reforçando a compreensão de que cuidar do acervo também significa cuidar do espaço que o abriga.
Desafios e aprendizados
O ano trouxe desafios concretos. A limitação de recursos, a complexidade dos editais públicos e os entraves próprios do trabalho em territórios diversos exigiram planejamento constante, capacidade de adaptação e escolhas responsáveis.
Ao avaliar esse percurso, Cleide Arruda destaca:
“Cada projeto, cada articulação e cada presença institucional reafirmam nosso compromisso com os povos indígenas, com a cultura, com a sustentabilidade e com os territórios onde atuamos. Mesmo diante de limites estruturais e financeiros, optamos por seguir, aprender e amadurecer institucionalmente.”
Essas dificuldades também geraram aprendizados importantes. Reforçaram a necessidade de construir propostas coletivamente, fortalecer redes de parceria e manter a coerência entre discurso e prática. O período mostrou que a sustentabilidade institucional se constrói no dia a dia, com trabalho consistente, escuta e responsabilidade.
Síntese institucional
O balanço do ano revela um Instituto Kurâdomôdo comprometido com sua missão e atento aos territórios onde atua. Mesmo diante de limites, a instituição seguiu presente, articulada e fiel aos seus valores. A continuidade das ações, o reconhecimento institucional e a confiança de parceiros e comunidades reafirmam a legitimidade construída ao longo do tempo.
Perspectivas para o próximo ciclo
O encerramento do ano representa também a consolidação de bases importantes para o período seguinte. O Instituto Kurâdomôdo segue ativo, fortalecido pelas parcerias construídas e pelos aprendizados acumulados.
Para a diretora do Instituto, o sentido desse percurso está na continuidade responsável:
“Encerramos o ano com a certeza de que seguimos no caminho certo. Um caminho que respeita os saberes tradicionais, valoriza as pessoas e entende que transformação social se constrói com tempo, coerência e compromisso.”
Josiane Dalmagro
Assessoria de Imprensa
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