Projeto apoiou a produção de duas publicações inéditas em idioma Xavante
Publicado em: 17/08/2023
Ter a oportunidade de apoiar a preservação da fauna do Centro-Oeste brasileiro e do idioma do “povo verdadeiro”, esse foi o trabalho realizado pelo Instituto Kurâdomôdo Cultura Sustentável. Por meio do projeto Aldeia Sustentável A’uwe Uptabi, em 2022, a entidade, apoiou a pesquisa, produção de imagens e revisão do material do Guia de bolso de Aves e do Guia de Bolso de Mamíferos de Médio e Grande Porte, os dois na língua Xavante.
A combinação do conhecimento ancestral com o acadêmico pode garantir a continuidade das comunidades Xavante em Mato Grosso. Essa é a proposta do Projeto Aldeia Sustentável A`uwe Uptabi (Xavante), realizado na Aldeia Belém, na Terra Indígena Pimentel Barbosa em Canarana (643 km de Cuiabá), que abrange os municípios de Água Boa, Canarana, Nova Nazaré e Ribeirão Cascalheira, localizados em Mato Grosso.
Sobre a identificação dos animais, Cleide Arruda, gestora do Projeto Aldeia Sustentável, ressalta que o Brasil abriga cerca de 1.997 espécies de aves, tornando-o o segundo país mais diversificado do mundo nesse aspecto. O bioma do Cerrado é o terceiro maior em diversidade de aves no país, com 856 espécies.
Até o momento, foram identificadas 126 espécies de aves na área ao redor da Aldeia Belém, representando 58% das aves observadas em Canarana. A pesquisa permitiu ampliar o conhecimento sobre a avifauna e mastofauna de médio e grande porte, bem como suas interações com as plantas, como polinização, dispersão de sementes e relações com os indígenas
Em relação aos mamíferos, os pesquisadores do projeto identificaram 41 espécies de grande relevância para a vida cotidiana do povo Xavante. Estes animais têm um papel fundamental como fonte de proteína, são utilizados em rituais e, na natureza, desempenham um papel crucial como dispersores de sementes. O guia apresenta informações sobre 36 dessas espécies.
Vale destacar que Mato Grosso é lar de 268 espécies de mamíferos, o que representa 37,1% de toda a fauna brasileira. Infelizmente, 28 dessas espécies estão atualmente em risco de extinção.Na Terra Indígena estudada, espécies em situação de vulnerabilidade incluem o tamanduá-bandeira, tatu-canastra, lobo-guará, raposinha-do-campo, cachorro-vinagre, ariranha e onça-parda, entre outros.
A pesquisa evidenciou que as terras indígenas desempenham um papel crucial na conservação da biodiversidade dentro do estado.
O projeto é um piloto realizado na Aldeia Bélem, na Terra Indígena Pimentel Barbosa, sob a liderança do Instituto Kurâdomôdo de Cultura Sustentável, liderado por Cleide Arruda, e financiado pelo Programa REM MT, com apoio do GIZ/KFW/UKaid/Funbio, além do suporte da Funai, SEMA, SEAF, EMPAER, SAI, UNEMAT e Prefeitura de Canarana (MT).

Aline Coêlho
Assessoria de Imprensa
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